Em dia de euforias, pelas
-novas- 7 maravilhas e pelo concerto mundial em 7 países o
"Live Earth" - este ano em Portugal realizado um espectáculo
em parceria com a organização e em exclusivo com
músicos nacionais - todo um universo se parece curvar
perante estes dois acontecimentos. De facto, são momentos
importantes na existêncida de um país e no quotidiano
de um povo. São, em boa verdade, a visibilidade
possível que em Portugal se pratica - e se tenta prolongar:
a da grandeza. Mas, há uma pergunta que é
inequívoca - Que grandeza terão realmente? Isto no
aspecto duma sociedade sem dimensão planetária e que
se subsiste de acções de solidariedade e
partidárias em prol do boa imagem que
é excerbadamente imperativa de credibilizar
nessa União Europeia fora e nesse mundo além
fronteiras. Contudo, e após a minha habitual leitura matinal
pela imprensa, noto alguma discrepância entre aquilo que se
mostra e o que se tem.
Nota: Num dos jornais
desportivos em que dispensei meia hora do meu tempo, deparei-me com
a história de um senegalês que veio para a terra de
Afonsos Henriques e marinheiros de Descobertas históricas -
infrutíferas hoje no presente - em busca do sonho dourado no
futebol luso. Certo é, que nunca chegou a jogar em nenhum
clube e o que ganhou com a aventura foram três notas de vinte
euros e um cadastro de ilegalidade. Deixado nas ruas pelas
mãos do mesmo empresário e representante que prometeu
uma vida melhor longe da sua família e berço que o
viu nascer. "Antoine" é o nome fictício mas um ser
humano que existe. Tem 19 anos e não fosse a ajuda de
compatriotas africanos - que nem ele conhecia até
então - e seria mais um nas teias da criminalidade ou capa
de jornais por uma vida de reprovação que depressa
nos apressaríamos a julgar e condenar. Mas não. O
jovem anda a monte, sem documentos ou paradeiro fixo mas de
criminalidade só mesmo a injustiça a que foi sujeito.
Confesso que a moral desta história, por muito brilhante ou
pouco esclarecedora, denota bem as fragilidades de um Portugal dos
pequeninos afoito a receber a fé dos outros para
posteriormente não lhes corresponder. Repito, o infeliz
futebolista de 19 anos existe mesmo. Só não se
chamará "Antoine".
Ainda neste contexto, quatro exemplos
de jovens jogadores que apesar das dificuldades impostas,
sobreviveram às adversidades e deram um valente
pontapé no destino. João Pereira, Semedo, Nani e
Paulo Machado. Nascidos e criados em Lisboa, Setúbal e Porto
em bairros socias - Casal Ventoso, Cova da Moura, Bela Vista e
Cerco, respectivamente. As raízes são as de lugares
pobres e onde se cria a exclusão social. Ou será de
sociedade? Engraçado, no meio de tudo isto estão a
realidade a que hoje estão ligados. Gil Vicente, Manchester
United, F. C. Porto e Charlton são o cais de abrigo
destes "miúdos" que aprenderam a jogar na rua e que mesmo
infiltrados na corda bamba de que o meio influencia o ser,
não se inibiram de aproveitar as oportunidades e seguir um
trajecto que só a eles lhes pode orgulhar.
Conclusão: Se serão as pirâmides de Gizé
a única representante da Antiguidade na nova lista de
maravilhas ou se serão muitos os que irão à
cerimónia de eleição - a 55 euros cada bilhete
??!! - não sei. Contudo só me resta desejar que
venca o melhor. Quanto ao Pavilhão Atlântico e ao seu
minimalista Live Earth made in Portugal, só espero que
quem assista se sinta bem com os que estarão a encher
de música os ouvidos dos portugueses. Eu cá, estarei
mais inclinado para a preparação do compromisso
desportivo deste fim de semana e em pensar que somos todos
"Antoines" a correr às voltas e atrás dum suspiro, de
um pedaço de ar puro que muitos são o que o procuram
mas poucos o conseguem alcançar.
Isto, obviamente, no seio desta
Irmandade. Inesquecível a forma como nos podemos sentir, nem
que por breves momentos, inseridos e acarinhados numa
"família" e num dever comum.
T.A