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"Silly Season" - o fim num outro início  Inserido Friday 10 August 2007 18:48

Numa altura em que a cidade está mais vazia e o movimento de pessoas é reduzido em relação a outros períodos do ano de maior mobilidade, não posso deixar de me questionar - como amante confesso e apaixonado pelo desporto, o "da bola" - que nem só de futebol se faz uma vida. Há toda uma conjectura que nos mantém ocupados, desatentos, ou tão justamente relaxados perante o passar dos dias de verão.
Mas, de uma forma ou de outra, a verdade é que em Portugal ( para não citar os casos de Inglaterra em que já aquec, em França ferve, na Alemanha tudo a postos e por Espanha e Itália o lume está quase no ponto ) se continua a consumir o futebol que nas últimas semanas tem tido o seu desenvolvimento. Sejam amigáveis contra desconhecidos, torneios centenários ou de nuestros hermanos, por terras da Europa e afins, em boa medida noto que aquele que não dispensa uma folgazinha do trabalho para dar um salto até à praia, é o mesmo que acaba por se sentar à hora de jantar em frente ao televisor, desdobrando-se em olhares e análises sobre os jogos de temperatura amena que a passividade de Agosto coloca à mesa.

Ora, é então sobre este facto que gostava de deixar aqui duas notas:

Uma entrevista dada por Danny ( jogador do Dínamo de Moscovo ) e uma crónica de João Lopes ( crítico ) que li no mesmo jornal.
De um lado o choque de um jogador português nos primeiros tempos em solo de czares. Do outro, a face esquecida ( e não menos bela ) que o futebol encorpora na sua mediatização - as imagens.
Quero dizer, emocionou-me a forma como o antigo extremo do Sporting contou a sua história. Breve e preciso ao mesmo tempo. Em três anos de imigração, Danny conseguiu alcançar o estatuto de vedeta nesse Dìnam(ite) em que tantos passaram sem êxito e sob as próprias sombras. Casos de Derlei, Costinha, Maniche - hoje bem mais conscientes de que o dinheiro não é tudo, certamente. Talvez, como se a humildade lhes tivesse segredado ao ouvido que quem muito quer tudo perde. E é hoje, meritoriamente considerado o jogador mais importante do campeonato russo, esse cubo de gelo que anda para lá e para cá, intermitente e à margem das grande elites mundiais. Este míudo ( tem 24 anos! ) aterrou de malas e bagagens, mulher e filhos gémeos ao colo, e sem falsas pretensões tentou adaptar-se à nova realidade, a língua, os costumes, o ambiente bem diferente aqui do Zé povinho, e é certo que nos primeiros dois anos quase estagnou. Quase quis abandonar tudo. Mas não, a vida (ela outra vez! ) ensinou-he uma lição que tão nobremente evocou no meio das suas palavras: " O futebol não são sõ contratos milonários (...) e se ainda aqui estou é porque não fui como outros, que se foram embora porque realmente não precisavam". A isto, só consigo aliar o expressão: grande jogada e golo espectacular. Pois, quando se tem pessoas que dependem de nós, e quando o futuro de quem gostamos está intimamente relacionado com aquilo que fazemos profissionalmente, melhor é aceitar que só se sobe um degrau de cada vez, afim de evitar quedas repentinas, e por vezes sem retorno. Força e muita sorte, para ele. è o meu desejo.

Quanto à outra nota que referi, apenas o meu aplauso e admiração. Bom que foi, de ver, momentos antes das grandes penalidades, Petr Cech ( o guarda - redes do Chelsea ) retirar o capacete que há largos meses o protege depois de tamanha infelicidade ( quase fatal em 16 de Outubro de 2006 ) sofrida e suspeita de ser um trágico fim de carreira, e de olhos fechados em direccção ao céu, respirar deitado sobre a relva de Wembley repleto, preparando-se para a decisão do primeiro troféu entre os dois colossos da Premiership. Pode até o resutado ter desagradado os blues na lotaria indesejada, mas acima de tudo, fica-me na retina a grande defesa que o jovem checo fez pela sua sobrevivência. Aí, a grande defesa e a maior de todos os tempos, para mim, será a dele.

Para concluir - e isto enquanto o termómetro atinge o seu pico - só me resta desejar uma continuação de boas férias a quem assim se encontrar. Espero voltar para a semana com mais alguma coisa para dizer, enquanto isso, regozijo-me perante o meu metro e setenta e dois centímetros de altura ao beber destes dois exemplos, que a vida é muito mais futebol.

Apesar de que com ele, sabe igualmente bem.

PS - à Irmandade, a esperança de que em Setembro e no regresso da pausa competitiva, possamos todos contribui para o que nos é semelhante: O espírito vencedor que há em cada um de nós, dentro e fora de campo, pelo jogo e pelas nossas vidas. Grande abraço,

até breve.

T.A

 

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