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O relógio marca
as horas. É Domingo.
Um a um, chegam de sacos aos ombros e esperanças de um final
de noite sem sabor amargo. Dia de jogo significa querer vencer. O
estar ali é o mais importante. Os jogadores vão
até ao balneário e ocupando o seu lugar inicia-se o
trajar do guerreiro. Equipamento, meias e chuteiras fluem com as
primeiras palavras. Diz-se o silêncio de um ruído que
não passa daquele espaço. A camisola preta comum a
todos, é de uma cadência serena. Ainda que os
sentimentos sejam distintos, uns e outros sabem que a cor simboliza
a escuridão de uma batalha que só agora vêem
para lá da porta de saída. No exterior, jogos que
decorrem e um ambiente que se vive. Terminado o ritual de
apresentação, ainda sobra tempo para levar ao rosto a
água trazida das mãos para refrescar o
espírito e lavar o pensamento. È para ganhar.
É domingo.
O tilintar dos pitons é o mesmo que o bater dos corações. O peito cheio de ar caminha com o corpo pelo chão e desce as escadas até ao palco prometido. Não há milhares de vozes a gritar ou a clamar este ou aquele. Só se pensa quem lá está porque de facto acabou por ir. Não há marcas nem patrocinadores. Ou claques doentes ou tatuagens e imagens alusivas a religiões ou ideais de regime. Sem fanatismos, há somente isto: o verde do sintético e uma bola. Equipas várias, amigos e conhecidos. Árbitros e uma perspectiva de uma bancada de pedra e cimento na sua maioria, vazia. Do outro lado, uma cidade que inexiste nas margens do contorno a branco do tapete que brilha, como se fruto duma luz mágica num estádio envolvente em dia de grande final. Não há bilheteiras nem ilegalidades de mercado. Não há aplausos nem animações sonoras a 500 watts. Não há bancos às cores nem carrinhos com macas e tecnologia. Nem olheiros de meio mundo em busca do outro meio.Mas há a pureza. Há somente isso. O que verdadeiramente tem valor. É domingo.
À primeira
observação do relvado e no que nele se passa,
segue-se um curto período de aquecimento. Pernas e
braços, joelhos e tornozelos entram numa maratona em poucos
minutos. Porque durante a semana não houve treinos
programados e recuperações físicas
acompanhadas na academia com as suas insígnias gravadas a
letras bem visíveis. Porque a vida tem os seus
próprios caminhos e a grande maioria tem de fazer tocar os
calcanhares noutro bem diferente. Dá-se um ligeiro contacto
com a bola – a dama imprevisível que umas vezes
desequilibra-se na rede e noutras esbate no ferro. Que umas vezes
sai e noutras regressa à origem. Fecham-se capítulos
de uma história contínua quando se ouve um apito a
soar no ar. Há quem tenha agarrado o milagre nos derradeiros
segundos e quem tenha conseguido alcançá-lo mais
naturalmente. Há sentimentos distintos mas vitoriosos e
derrotados saem pelo mesmo lugar. A Irmandade neste preciso
momento. Toma a metade que lhe é destinada. O seu
capitão ao centro, juntamente ao árbitro e ao seu
homólogo adversário. Cumprimentos de cordialidade
são a praxe. Pouco falta para o essencial. Nomes de Guerra
(sã) e números nas costas posicionam-se. Está
tudo preparado. A bola pode girar. É domingo.
O futebol é um espectáculo – muito se diz, se
escreve e debate. Mas é também – a meu ver
– uma bênção. Um desporto de grupo e para
o grupo em função dele. A Irmandade justifica o
porquê. Porquê? Jogar por amor a jogo a troco de
sorrisos e de convívio em amizade são qualidade
não sublimes ao Homem, mas é sublime na vontade e
desejo destes homens. Porque é futebol. Uma bola de sonho e
disponibilidade para quem quiser sonhar. Porque é futebol.
Porque é Domingo.
T.A
PS - Ao Manel, ao Marchena, ao Ruben, ao Fred, ao Nélson, ao Pedro e ao Élio, ao Paulo ( até a mim próprio ) o agradecimento. A Irmandade do Granel são estes nomes e a todos se deve um abraço de consideração pelo que de amadores só o facto da presente competição. À parte, somos maiores.
No passado fim-de-semana foi dia de vitória. As seguintes estão já marcadas para dia 8 e 15 do mês corrnte.
Que a bola continue. Porque é Domingo...