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Já só faltam 268 dias - parte I (Treinador de bancada) Inserido Saturday 18 August 2007 01:18

A notícia era capa do jornal A Bola de sexta-feira, 17 de Agosto de 2007. Nada mais nada menos que 269 dias de futebol, dividido entre provas europeias, provas caseiras na estreante Taça da Liga, a Bwin Liga claro, e a já normal Taça de Portugal. Afiguram-se, portanto, meses e inúmeros minutos de bom espectáculo - espera-se, de golos - realmente necessário, confirmações - os milhões que aterraram por cá, e invariávelmente de vitórias mesmo que sofríveis, saborosas - cada um como cada qual.

Comecemos pela parte do bom espectáculo. Que é uma esperança legítima de todos os adeptos, bem como uma utopia da Liga chefiada por Hermínio Loureiro, que traduz os seus investimentos e discursos, numa maior aproximação dos clubes e dos seus jogadores àquilo que é o aperitivo de um jogo de futebol: Arte e emoção. Comece, então, a bola a mover-se por si, que de sua justiça se verá se este pequeno/grande pormenor foi ou é assimilado devidamente por todos os intervenientes, e em sequência pela arbitragem em Portugal ( agora já profissional). Para o futuro, veremos...

Em seguida,e em matéria de golos, que futuro se desenrolará em torno dos suspeitos do costume, e dos que agora chegaram ao reino lusitano.
Há Liedson. Continua Adriano. Sobrevivente até ver, ( fim de época de transferências a 31 de Agosto) Nuno Gomes. Isto ao que aos três grandes diz respeito. E neles respeitantemente, vieram Derlei-Purovic, Cardozo-Bergessio, Edgar-Farías. Entre outros.
De notar, de igual modo, que esta dicotomia de novas caras para 2007/08 não serão duplas seguras nos respectivos candidatos ao título.

Há ainda, Roberto do Leixões, Roncatto do Belenenses, João Tomás e Lenny no Braga, Paulo César e João Paulo na União de Leiria, Makukula no Marítimo, Marcelinho na Naval, Gyano na Académica e Targino em Guimarães. Apenas para citar alguns casos do motor de artilharia com que a Bwin pode contar. Penso, no entanto, que será nos mais fortes e mais regulares que se verá a apetência e o faro de golo que traduz resultados e anima povos e gentes.

Será Liedson  sucessor do seu próprio trono?

Ou desta vez teremos um Cardozo - à imagem do seu compatriota Roque Santa Cruz - a aclamar como meritória a sua contratação milionária?

Ou, Adriano - o (in)dispensado, sairá finalmente da sombra de Gomes, Jardéis e McCarthys que na casa do Dragão marcaram a ouro as botas calçadas?

Fica para mais tarde o cálculo de médias e as matemáticas da finalização.

Em relação às confirmações, a minha questão prende-se com certos jogadores credenciados de estrelas e outros que das américas chegam com vontades conscientes de demonstrar o seu valor. E porque Portugal, é sempre uma mera rampa de lançamento de talentos que depois agradecem a proliferação das suas cláusulas, que dizer de Bergessio, Adu, Di Maria, de Vukcevic, Izmailov, Purovic, de Leandro Lima, Mariano Bolatti, Mariano González...mais Edgar do Boavista ( o único que poderá salvar a era Pacheco).


Sobre o ser vitorioso uma palavra: joguem o melhor que sabem e que forem capazes. Porque apesar das mudanças fiscais, o espectador é quem paga o espectáculo, e é de quem o pode espectacularizar que a malta exige. E não são poucos os que podem proporcionar verdadeiros arrepios e magia nesses campos fora. Sejam honestos. Para o clube. Para os do clube. Para os que são de outro clube mas sabem apreciar. Para quem lhes é oportuno. Para quem a eles confia. Para todos e sem excepção, por vocês próprios. Sem apostas, que ganhe o melhor.

T.A

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Ir ao dentista é urgente (Futebolices) Inserido Saturday 18 August 2007 00:21

Em semana que antecedeu o arranque da temporada oficial, já eu havia dito que as temperaturas se estavam a acomodar no seu lugar mais firme para o recomeço de todos os começos, quando não é que...Jesualdo Ferreira se lembra de em conferência de imprensa pré-supertaça, falar de hábitos de higiene oral. Lavar os dentes é um hábito. E o Futebol Clube do Porto esse hábito já lhes garante a monotonia de ter de ganhar jogos. Ora, foi aqui, neste preciso momento que curiosamente uma dor de dentes que há algum tempo me vinha dando conta da sua existência, se levantou e quase exclamando: é um facto. Todo o homem, mulher e criança tem direito de ter um dentista ao seu dispor. Porque as cáries são uma moda na geração das pastilhas elásticas ou de refeições fast food em detrimento de paladares mais energéticos, saudáveis e elaborados. Enfim, o professor deixou o mote para aquilo que se viria a passar nos dias seguintes em dois instantes distintos.

O primeiro: O recém reforço do Sporting, Marat Izmailov, provou ao sr. treinador adversário, que na tão fria Rússia, o branco da neve é proporcional ao cuidado a ter com a dentição. E assim como quem não quer a coisa ( mas de facto a quer ) deu uma dentadinha com os molares, no tão saudável ambiente do dragão. Em retribuição de tamanha demonstração de saúde, e uma supertaça perdida pelos campeões nacionais. Vá lá compreender-se o futebol, ou o que por vezes corre para além dele. O jogo realmente valeu pelo esforço no estádio, dos adeptos desde o mais comum ao mais narcisista clubisticamente, compreender as fronteiras entre palavras de mestre e mestria nas palavras. Em bom português, talvez seja essa uma das evoluções a acontecer no futebol nacional.

O segundo: a dor acentua-se. Torna-se insuportável. E eu - a escassos metros do consultório - vou pela rua com um meio sorriso. Metade à mercê do feito conseguido pela natureza dum pé direito que rematou fortíssimo e colocado para a baliza de Helton, por outro, a metade que quase não se suporta a si mesma - em razão que uma dor de dentes é do mais incomodativo que pode haver ( intimamente ligada com o sistema nervoso central ). Conclusão: em duas semanas, fui três vezes aprender a lição de como escovar os dentes e que pasta devo usar.

Por fim, de referir que a semana decorre dentro da normalidade possível, e com mais verde sobre azul ou não, importante é constatar a aproximação de encontros que prometem fazer deslizar...muitas e muitas cores.


PS - uma nota sobre terça-feira. Rui Costa não é um jogador de futebol. Consegue ser largamente mais que isso. Um atleta profissional, que contra a corrente, lá vai somando grandeza ao seu currículo - vasto como poucos e magistral como outros menos ainda. Dois golos daquela categoria, das duas uma: ou se sabe ou nunca se farão. E não será a idade e a experiência que hão de pesar, certamente, para todos os que se pensam artistas da bola. E ele, é desses prodígios inexcedíveis, que na hora de dizer presente, reclama a sua forma de estar como se concebesse em si uma equipa inteira. Foi o que aconteceu. Brilhante.

 

T.A

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"Silly Season" - o fim num outro início (Pontapé Livre) Inserido Friday 10 August 2007 18:48

Numa altura em que a cidade está mais vazia e o movimento de pessoas é reduzido em relação a outros períodos do ano de maior mobilidade, não posso deixar de me questionar - como amante confesso e apaixonado pelo desporto, o "da bola" - que nem só de futebol se faz uma vida. Há toda uma conjectura que nos mantém ocupados, desatentos, ou tão justamente relaxados perante o passar dos dias de verão.
Mas, de uma forma ou de outra, a verdade é que em Portugal ( para não citar os casos de Inglaterra em que já aquec, em França ferve, na Alemanha tudo a postos e por Espanha e Itália o lume está quase no ponto ) se continua a consumir o futebol que nas últimas semanas tem tido o seu desenvolvimento. Sejam amigáveis contra desconhecidos, torneios centenários ou de nuestros hermanos, por terras da Europa e afins, em boa medida noto que aquele que não dispensa uma folgazinha do trabalho para dar um salto até à praia, é o mesmo que acaba por se sentar à hora de jantar em frente ao televisor, desdobrando-se em olhares e análises sobre os jogos de temperatura amena que a passividade de Agosto coloca à mesa.

Ora, é então sobre este facto que gostava de deixar aqui duas notas:

Uma entrevista dada por Danny ( jogador do Dínamo de Moscovo ) e uma crónica de João Lopes ( crítico ) que li no mesmo jornal.
De um lado o choque de um jogador português nos primeiros tempos em solo de czares. Do outro, a face esquecida ( e não menos bela ) que o futebol encorpora na sua mediatização - as imagens.
Quero dizer, emocionou-me a forma como o antigo extremo do Sporting contou a sua história. Breve e preciso ao mesmo tempo. Em três anos de imigração, Danny conseguiu alcançar o estatuto de vedeta nesse Dìnam(ite) em que tantos passaram sem êxito e sob as próprias sombras. Casos de Derlei, Costinha, Maniche - hoje bem mais conscientes de que o dinheiro não é tudo, certamente. Talvez, como se a humildade lhes tivesse segredado ao ouvido que quem muito quer tudo perde. E é hoje, meritoriamente considerado o jogador mais importante do campeonato russo, esse cubo de gelo que anda para lá e para cá, intermitente e à margem das grande elites mundiais. Este míudo ( tem 24 anos! ) aterrou de malas e bagagens, mulher e filhos gémeos ao colo, e sem falsas pretensões tentou adaptar-se à nova realidade, a língua, os costumes, o ambiente bem diferente aqui do Zé povinho, e é certo que nos primeiros dois anos quase estagnou. Quase quis abandonar tudo. Mas não, a vida (ela outra vez! ) ensinou-he uma lição que tão nobremente evocou no meio das suas palavras: " O futebol não são sõ contratos milonários (...) e se ainda aqui estou é porque não fui como outros, que se foram embora porque realmente não precisavam". A isto, só consigo aliar o expressão: grande jogada e golo espectacular. Pois, quando se tem pessoas que dependem de nós, e quando o futuro de quem gostamos está intimamente relacionado com aquilo que fazemos profissionalmente, melhor é aceitar que só se sobe um degrau de cada vez, afim de evitar quedas repentinas, e por vezes sem retorno. Força e muita sorte, para ele. è o meu desejo.

Quanto à outra nota que referi, apenas o meu aplauso e admiração. Bom que foi, de ver, momentos antes das grandes penalidades, Petr Cech ( o guarda - redes do Chelsea ) retirar o capacete que há largos meses o protege depois de tamanha infelicidade ( quase fatal em 16 de Outubro de 2006 ) sofrida e suspeita de ser um trágico fim de carreira, e de olhos fechados em direccção ao céu, respirar deitado sobre a relva de Wembley repleto, preparando-se para a decisão do primeiro troféu entre os dois colossos da Premiership. Pode até o resutado ter desagradado os blues na lotaria indesejada, mas acima de tudo, fica-me na retina a grande defesa que o jovem checo fez pela sua sobrevivência. Aí, a grande defesa e a maior de todos os tempos, para mim, será a dele.

Para concluir - e isto enquanto o termómetro atinge o seu pico - só me resta desejar uma continuação de boas férias a quem assim se encontrar. Espero voltar para a semana com mais alguma coisa para dizer, enquanto isso, regozijo-me perante o meu metro e setenta e dois centímetros de altura ao beber destes dois exemplos, que a vida é muito mais futebol.

Apesar de que com ele, sabe igualmente bem.

PS - à Irmandade, a esperança de que em Setembro e no regresso da pausa competitiva, possamos todos contribui para o que nos é semelhante: O espírito vencedor que há em cada um de nós, dentro e fora de campo, pelo jogo e pelas nossas vidas. Grande abraço,

até breve.

T.A

 

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Perder...depois de ganhar (Crónicas) Inserido Tuesday 10 July 2007 21:38

No rescaldo de mais um fim de semana uma das conclusões a que se chega é que o futebol é uma probabilidade em matéria bruta. Difícil de calcular, mais ainda de aceitar.
O jogo em si não foi bonito. Não teve lances de uma sede e fome futebolística assinaláveis; não foram particularmente interessante os minutos em campo. A bola parecia caminhar - muitas vezes - no sentido inverso àquele que os pés e a cabeça queriam transmitir. Houve vontade, sem dúvida. Entrega q.b e uma tremenda falta de maturidade. A ganhar por dois golos de diferença...e no fim, uma derrota a saber a muito. Desânimo e tristeza.

No rescaldo de mais um fim de semana, duas equipas tão diferentes e um resultado igual a tantos outros. Terá sido justa a vitória de quem mais a procurou? ou terá sido efémere a certeza de que a vantagem seria suficiente e apenas exigível que se a gerisse?

Factores externos à parte - tempo de jogo (in)útil e pequenos pormenores capitais, o futebol tem de tudo um pouco. E aí, cara ou coroa é uma questão de sorte. Saiu cara a coroa na segunda parte. Sem chama, sem alinhamento capaz de suster os golpes que teimosamente o jogo revelou. Tardiamente.

Na hora da derrota, o semblante cabisbaixo domina todo um núcleo de uma equipa. Quando se ganha pensa-se alto, quando se perde...e depois de estar a ganhar, pensamento nenhum vale o que quer que seja. O equilíbrio, é portanto, fundamental.

No rescaldo - bem escaldado diga-se - de mais um fim de semana, só resta a humildade de dizer: "Temos porque podemos, fazer mais e melhor da próxima vez."

Uma última palavra - Estarei ( e estaremos ) sempre com muito orgulho presente nesta equipa.

T.A

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Crónica Redonda (Crónicas) Inserido Saturday 07 July 2007 13:33

Em dia de euforias, pelas -novas- 7 maravilhas e pelo concerto mundial em 7 países o "Live Earth" - este ano em Portugal realizado um espectáculo em parceria com a organização e em exclusivo com músicos nacionais - todo um universo se parece curvar perante estes dois acontecimentos. De facto, são momentos importantes na existêncida de um país e no quotidiano de um povo. São, em boa verdade, a visibilidade possível que em Portugal se pratica - e se tenta prolongar: a da grandeza. Mas, há uma pergunta que é inequívoca - Que grandeza terão realmente? Isto no aspecto duma sociedade sem dimensão planetária e que se subsiste de acções de solidariedade e partidárias em prol do boa imagem que é excerbadamente imperativa de credibilizar nessa União Europeia fora e nesse mundo além fronteiras. Contudo, e após a minha habitual leitura matinal pela imprensa, noto alguma discrepância entre aquilo que se mostra e o que se tem.

Nota: Num dos jornais desportivos em que dispensei meia hora do meu tempo, deparei-me com a história de um senegalês que veio para a terra de Afonsos Henriques e marinheiros de Descobertas históricas - infrutíferas hoje no presente - em busca do sonho dourado no futebol luso. Certo é, que nunca chegou a jogar em nenhum clube e o que ganhou com a aventura foram três notas de vinte euros e um cadastro de ilegalidade. Deixado nas ruas pelas mãos do mesmo empresário e representante que prometeu uma vida melhor longe da sua família e berço que o viu nascer. "Antoine" é o nome fictício mas um ser humano que existe. Tem 19 anos e não fosse a ajuda de compatriotas africanos - que nem ele conhecia até então - e seria mais um nas teias da criminalidade ou capa de jornais por uma vida de reprovação que depressa nos apressaríamos a julgar e condenar. Mas não. O jovem anda a monte, sem documentos ou paradeiro fixo mas de criminalidade só mesmo a injustiça a que foi sujeito. Confesso que a moral desta história, por muito brilhante ou pouco esclarecedora, denota bem as fragilidades de um Portugal dos pequeninos afoito a receber a fé dos outros para posteriormente não lhes corresponder. Repito, o infeliz futebolista de 19 anos existe mesmo. Só não se chamará "Antoine".

Ainda neste contexto, quatro exemplos de jovens jogadores que apesar das dificuldades impostas, sobreviveram às adversidades e deram um valente pontapé no destino. João Pereira, Semedo, Nani e Paulo Machado. Nascidos e criados em Lisboa, Setúbal e Porto em bairros socias - Casal Ventoso, Cova da Moura, Bela Vista e Cerco, respectivamente. As raízes são as de lugares pobres e onde se cria a exclusão social. Ou será de sociedade? Engraçado, no meio de tudo isto estão a realidade a que hoje estão ligados. Gil Vicente, Manchester United, F. C. Porto e Charlton são o cais de abrigo destes "miúdos" que aprenderam a jogar na rua e que mesmo infiltrados na corda bamba de que o meio influencia o ser, não se inibiram de aproveitar as oportunidades e seguir um trajecto que só a eles lhes pode orgulhar.

Conclusão: Se serão as pirâmides de Gizé a única representante da Antiguidade na nova lista de maravilhas ou se serão muitos os que irão à cerimónia de eleição - a 55 euros cada bilhete ??!! - não sei. Contudo só me resta desejar que venca o melhor. Quanto ao Pavilhão Atlântico e ao seu minimalista Live Earth made in Portugal, só espero que quem assista se sinta bem com os que estarão a encher de música os ouvidos dos portugueses. Eu cá, estarei mais inclinado para a preparação do compromisso desportivo deste fim de semana e em pensar que somos todos "Antoines" a correr às voltas e atrás dum suspiro, de um pedaço de ar puro que muitos são o que o procuram mas poucos o conseguem alcançar.

Isto, obviamente, no seio desta Irmandade. Inesquecível a forma como nos podemos sentir, nem que por breves momentos, inseridos e acarinhados numa "família" e num dever comum.

T.A

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