Página Inicial Data de criação : 07/07/02 / Última actualização : 08/06/09 16:44 / 19 Artigos publicados
 

O número de Ouro  Inserido Monday 09 June 2008 16:44

Blogue de irmandadedogranel :

Na Antiguidade, de Pitágoras a Platão - nessa Grécia já desaparecida - surgia uma regra, antes uma forma de beleza incompreensível denominada de ouro. Ainda, o número de ouro, o rectângulo homónimo e a espiral do mesmo nome. À partida, «a razão de ouro e o rectângulo de ouro potenciavam o valor estético dos monumentos e das esculturas» pelo qual se seguiram outras formas demonstrativas da sua existência: matemática, arquitectura, pensamento linear entre outras. Ora, é aqui que começa realmente o fundamento desta crónica. E a sua consequente relação com o futebol.

 

Um campo de futebol, rectangular por sinal, concentra em si todo um compêndio de situações e revelações - por vezes bem além do entendimento humano. Seja ele sensível ou inteligível, se aí sim também quisermos incluir a filosofia não apenas do jogo mas inerente e intrínseca a ele.

 

Por exemplo: os quatro princípios fundamentais do desporto são: 1. A fidelidade e respeito pelas suas regras, numa atitude madura e racional de obediência livre; 2. Subordinação do individual ao colectivo em jogos de grupo, exigindo simultaneamente aos seus praticantes a máxima responsabilidade; 3. Uma atitude face ao outro com base em vínculos de laços morais, porque «o outro é um colaborador e um adversário»; - e por fim - 4. O desporto exige um esforço de constante e rigoroso aperfeiçoamento físico e muscular como base de aperfeiçoamento da mente, uma vez que a ginástica do corpo deve ser sempre acompanhada da ginástica do intelecto. Nesta lógica, conciliando cada uma das fases e qualquer jogo de futebol poderia ser perfeito, ou pelo menos, mais próximo estaria da sua real designação. Dito isto - pensado, e recordo as primeiras três jornadas da nossa Irmandade na 4ª Superliga Masterfoot, aos Domingos.

Primeiro jogo: Uma estreia com uma derrota. Um começo aquém do que havíamos realizado, pesa embora em certos momentos tenha a nítida sensação de que se não fosse a dilatação do resultado - fruto duma maior eficácia ofensiva do adversário - e poder-se-ia dizer que certos papéis se inverteram e aí, uma certa confusão se gerou entre a dicotomia equipa favorita versus equipa recém chegada e na expectativa de uma surpresa.

Segundo jogo: Após a absorção da primeira entrada em cena - com um pé dentro e outro fora, ambos tremidos - uma amostra do valor colectivo enquanto equipa. Os moldes da partida eram claros e desde cedo se percebeu como os dados tinham sido lançados. Dois vencidos em busca da sua primeira vitória. Duas equipas tão diferentes e com futebóis equidistantes, que se encaixaram passado alguns minutos de reconhecimento. E em que os grandes destaques foram individuais. De um lado um avançado móvel e uma defesa compacta, do outro - o nosso refiro - um guarda redes hábil e generoso e um meio campo esforçado e trabalhoso. Nesta conjectura seria difícil prever grandes desníveis no resultado. Grandes fossos entre uma e outra realidade. Regra de ouro: quem não marca sofre, ou arrisca-se a, e muito esprimido o cansaço global e um golo que acontece ao cair do pano, para infortúnio e infelicidade de nós irmãos - apenas encorajados pela melhoria substancial em termos de rendimento, em relação ao jogo anterior.

Terceiro jogo: Velhos conhecidos da época anterior. Irmandade a campeã em título da divisão secundária versus uma equipa que havia conseguido um lugar no pódio, consequência de uma prestação coerente e de certo modo poderosa quando assim se lhe exigiu. O primeiro pensamento era de vitória, oxalá as pernas pensassem o mesmo. Um jogo na sua maioria bem disputado, de parte a parte, mas em que nesta espiral dourada - que é o futebol tanto na sua história como na sua imprevisibilidade - permitiu-nos à terceira compensar erros e esquecimentos patentes nos outros desafios. Houve eficácia suficiente para que não houvessem dúvidas, houve uma entrega quase estética desde o início que permitiu encararmos cada minuto seguinte como um passo em frente em relação ao instante antes; houve transpiração e talento, revelações de como o potencial não reside apenas num pé esquerdo ou direito, mas igualmente importante, na visão de olhos abertos em toda a sua latitude. E longitude. Sem retirar o mérito do adversário (diga-se que foi de facto um jogo muito interessante) é inequívoca a palestra desportiva que a nossa Irmandade foi capaz de relativizar e mostrar. Ganhámos 4 - 2.  

É para mim, nos pequenos pormenores que se revê toda e qualquer magia que a invisibilidade do jogo teima em esconder. Seja com a dureza de um lance ou com as picardias de quem pensa competir ao mais alto nível. E neste contexto, como explicar o que um sorriso de uma equipa feliz pode querer transmitir?

Tudo. A disponibilidade dos que ganham em matéria táctica à técnica. Dos que pensam melhor a corrida da bola mas sem ela, dos que estão no sítio certo na hora apropriada, ou até dos que invisíveis, são autênticas bases de uma conjectura que se completa e complementa.

 

Nada mais a acrescentar. Era disto que vos queria falar. Um alongamento do que sucede sempre que somos convocados a permanecer. No fundo, a imagem dispensa a sua justificação.

 

Um forte abraço,

 

T. Poeta

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Todos os comentários feitos ao artigo : O número de Ouro

  • Deco diz:Tuesday 10 June 2008 16:11

    Um grande texto so ao alcance de uma mente brilhante como tu Poeta!! Aquele Abraço

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